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sábado, 23 de janeiro de 2010

No teu poema

José Luis Tinoco


No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida,
Um corpo que respira, um céu aberto,
Janela debruçada para a vida

No teu poema
Existe a dor calada lá no fundo,
O passo da coragem em casa escura
E aberta, uma varanda para o mundo

Existe a noite,
O riso e a voz refeita à luz do dia,
A festa da Senhora da Agonia
E o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria

Existe um rio,
A sina de quem nasce fraco ou forte,
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste,
Que vence ou adormece antes da morte

No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha,
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem falha

No teu poema
Existe um cantochão alentejano,
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano

Existe um rio
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra
E um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas

Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte,
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste,
Que vence ou adormece antes da morte

No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro,
Existe tudo o mais que ainda me escapa
E um verso em branco à espera de futuro


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A Marcha da Mouraria, tem o seu quê de bairrista...

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Noite de Santo António em Lisboa

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