Anda ver meu bairro a Campolide
Queria lá morar a vida inteira
Tem o bairro ruas, não sei quantas
A Rua Conde das Antas
Mais a Marquês de Fronteira
Sobe essa Calçada que é vizinha
Porque depois da Quintinha
Vais parar às Amoreiras
Cá vai a marcha de Campolide
Canta com alma e coração
Desce a Calçada que é dos Mestres
e por sinal
Com muito jeito vais direito
ao Olival
Cá vai a marcha de Campolide
Leva um convite cada balão
A marcha é minha
A marcha é tua, vejam bem
E quem quiser cantar venha também
Ora vamos lá, vamos lá bailar
Quem é que não vem ?
Ora vamos lá, que já tem um par
Que dança também
Meu coração parece um balão
que arde a noite inteira
E tu tens fama de ser a chama
dessa fogueira
Anda ver, que vês em Campolide
Seus arcos gigantes, pois então !
Verás que do meu bairro não desdenhas
D. Carlos de Mascarenhas
quer manter a tradição
Anda, vem cá ver, dá mais um salto
Sobe agora ali mais alto
Ao Alto do Carvalhão
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
"Marcha de Campolide" de António José
sábado, 17 de setembro de 2011
"MEU PORTUGAL MEU AMOR" de José Luís Gordo
Donde vens, p'ra onde vais
Com tanta gente a fazer
Dos teus dias os meus ais
Ai meu país
Minha terra portuguesa
De Camões que tu tiveste
Pelo ventre da tristeza
Todos os dias te canto
A condição de ser tua
Neste fado neste pranto
Eu por ti ainda canto
Descalça por qualquer rua
Não sei se te cante ou chore
Não sei se te grite um dia
Que na força deste canto
Rasgo a alma e digo em pranto
Que eu por ti ainda morria
Ai meu país
Que trazes nos olhos fado
Desse rei que não voltou
Ao seu povo desejado
Na minha boca
Trago sempre o teu sabor
Por isso te canto e digo
Meu Portugal, meu amor
http://youtu.be/yhvk-KWI3co
"MOURARIA DO PASSADO" de Gabriel de Oliveira e Francisco Pinto
Há festa na Mouraria
É dia da procissão
Da Senhora da Saúde
Até a Rosa Maria
Da Rua do Capelão
Parece que tem virtude
Desde manhã bem cedinho
Todo o bairro vai rezar
Há fé, amor e alegria
Tudo cheira a rosmaninho
Estalam foguetes no ar
Há festa na Mouraria
Do passado ainda resta
Ver o povo em comunhão
Numa fé que não ilude
Está a Mouraria em festa
É dia da procissão
Da Senhora da Saúde
É famosa a tradição
Que venera a linda santa
Desde o Benformoso à Guia
E depois da procissão
Tudo bebe, tudo canta
Até a Rosa Maria
Ouve-se um fado qualquer
Cantado com devoção
Numa voz sentida e rude
E a mais descrente mulher
Da Rua do Capelão
Parece que tem virtude
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
"O MEU PRIMEIRO AMOR" de Nelson de Barros
Ai como eu era, como te amei, Santo Deus
Meus olhos pareciam dois franciscanos
À espera do céu que vinha dos teus
Beijos que eu dava
Ai como quem morde rosas
Como te esperava na vida que então vivi
Podiam acabar os horizontes
Podiam secar as fontes, mas não viva sem ti
Ai como é triste, de o dizer não me envergonho
Saber que existe um ser tão meu, tão ruím
Tu que eras o ombro para o meu sonho
Traíste o melhor que havia em mim
Ai como o tempo pôs neve nos teus cabelos
Ai como o tempo as nossas vidas desfez
Quem dera ter outra vez desenganos
Ter outra vez vinte anos
Para te amar outra vez
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
"PRECISO DE ESPAÇO" de Vasco de Lima Couto
Para ser feliz
Preciso de espaço
Para ser raíz
Ter a rede pronta
Para o mar de sempre
Ter aves e sonho
Quando a terra escuta
E falar de amor
Aos tambores da luta
Ter palavras certas no sol o caminho
E beber a rir o doirado vinho
Misturar a vida, misturar o vento
E nas madrugadas
Quando o povo abraço
Para estar contigo preciso de espaço
Preciso de espaço
Para ser feliz
Preciso de espaço
Para ser raíz
Caminhar sem ódio
Falar sem mentira
Ter meus olhos longe
Da luz duma estrela
E ser como um rio
Que se agita ao vê-la
http://youtu.be/Rq8UH0FDuxE
"SER FADISTA"
Não sei que vida é a tua
que andas armado em senhor
Fado tu gostas é de algazarra
Dum xaile, d'uma guitarra
das patuscadas do amor
Ser fadista
ser um fadista de raça
É enfrentar a ameaça
é uma graça que Deus nos deu
Ser fadista é o destino que chora
Nascido na mesma hora
em que o fadista nasceu
Ser fadista é dar a mão á saudade
Que anda a chorar p'la cidade
é ser pobre com altivez
Ser fadista é destino que se perdoa
Oração à fé de Lisboa
ser fadista é ser português
Fado há uma voz que te chama
P'rás vielas de má fama
onde o sol nunca entrou
Fado bateste à porta da vida
Onde uma mulher perdida
p'ra não chorar te cantou
http://youtu.be/nbP_ZpqRzcg
domingo, 11 de setembro de 2011
"TUDO ISTO É FADO" de Aníbal Nazaré
Se eu sabia o que era o Fado
Eu disse que não sabia
Tu ficaste admirado
Sem saber o que dizia
Eu menti naquela hora
E disse que não sabia
Mas vou-te dizer agora
Almas vencidas, noites perdidas, sombras bizarras
Na Mouraria canta um rufia, choram guitarras
Amor ciúme, cinzas e lume, dor e pecado
Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado
Se queres ser o meu senhor
E teres-me sempre a teu lado
Não me fales só de amor
Fala-me também de Fado
A canção que é meu castigo
Só nasceu p'ra me perder
O Fado é tudo o que eu digo
Mais o que eu não sei dizer
sábado, 10 de setembro de 2011
Duas Glórias de João da Mata
Ambas de iguais sentimentos
Duas mulheres, duas glórias
Dois nomes, dois sofrimentos
Uma andou p'la Mouraria
E p'lo Campo de Santana
Conduzindo a nostalgia
Nos seus olhos de cigana
A outra em salões doirados
Da triste sorte irmã gémea
Trazia os dias contados
Nos seus olhos de boémia
Ambas souberam cantar
O fado que as embalava
Se uma chorava a cantar
A outra a chorar cantava
Cada qual em sua era
Dois nomes cheios de glória
Um a Maria Severa
Outro a Maria Vitória
terça-feira, 3 de maio de 2011
Eis uma versão da História do Fado
As origens do fado
Quando se fala de fado, cada cabeça sua sentença. Por muito tempo que se tenha dedicado ao estudo da história do fado, as conclusões são tudo menos coincidentes. Quais são, afinal, as origens do fado?
Há pelo menos um facto que parece ser unânime. O fado deverá ter surgido no século XIX. São várias as teorias. Uma refere que o fado é de origem árabe. Outra aponta a música brasileira, nomeadamente as chamadas modinhas, como a base do fado. Uma terceira teoria refere que a primeira vez que se ouviu fado foi na voz dos marinheiros que cantavam na proa dos barcos. Há ainda quem defenda que o fado surgiu na voz do povo, nas ruas da cidade de Lisboa, como uma forma de expressão de sentimentos.
A evolução do fado
Durante a primeira metade do século XIX, o fado esteve associado às classes mais baixas da população de Lisboa. Era cantado nas tabernas e reflectia o estado de espírito e as preocupações desta gente: o desalento, a tristeza, o ciúme e o medo.
Como chega então o fado às restantes classes sociais? Até meados do século eram poucos os espaços de divertimento da noite lisboeta. Atraídos pelo mistério e pelo 'pecado', os membros da aristocracia começaram a frequentar os bairros pobres da cidade tal como Alfama ou a Mouraria . É desta forma que as classes mais elevadas começam a ouvir o fado e a apreciar este género musical. E se até aqui as letras dos fados eram simples e até rudimentares, escritas pelos homens do povo, a partir de então alguns letrados e homens mais cultos iniciam-se na composição dando ao fado maior notoriedade.
O fado durante a censura
Em meados do século XX, o fado foi alvo de várias alterações. Por um lado, torna-se num género musical profissional pelo facto de ter começado a fazer parte do chamado Teatro de Revista. Muitos amantes do fado passam a fazer deste tipo de música a sua profissão. Por outro lado, vivia-se na ditadura de Salazar e a censura era implacável. Aos fadistas e instrumentistas era exigida uma licença para cantar e tocar fado, ao mesmo tempo que as letras e os poemas eram sujeitos a uma censura apertada. Mas, inicialmente com o cinema e a rádio e mais tarde com a televisão, o fado já estava totalmente assimilado pelo povo e raro era o português que não admirava este género musical. Ainda mais quando, na década de 50, surge aquela que ficaria para a história como a maior fadista de todos os tempos - Amália Rodrigues."
http://www.edusurfa.pt/Area.asp?seccao=2&area=6&artigoid=7907
É uma das muitas teses da História do Fado que, afinal, continua a ser um mistério ... mas Amália Rodrigues ficará eternamente na sua História♥
terça-feira, 26 de abril de 2011
Com Fado no coração♥
segunda-feira, 18 de abril de 2011
domingo, 3 de abril de 2011
OVELHA NEGRA de João Dias
Por não aceitar a regra
De ser coisa em vez de ser
Rasguei o manto do mito
E pedi mais infinito
Na urgência de viver
Caminhei vales e rios
Passei fomes passei frios
Bebi água dos meus olhos
Comi raízes de dor
Doeu-me o corpo de amor
Em leitos feitos de escolhos
Cansei as mãos e os braços
Em negativos abraços
De que a alma foi ausente
Do sangue das minhas veias
Ofereci taças bem cheias
À sede de toda a gente
Arranquei com os meus dedos
Migalhas de grão, segredos
Da terra, escaça de pão
Mas foi por mim que viveu
A alma que Deus me deu
Num corpo feito razão
quarta-feira, 23 de março de 2011
Associação Diva Brejão
quinta-feira, 10 de março de 2011
quarta-feira, 9 de março de 2011
"ESTÁS A PENSAR EM MIM" de Maria João Dâmaso
Se sentes como eu o vento a soluçar
As verdades mais certas mais impuras
Que as nossas bocas têm p’ra contar
Se sentes lá fora a chuva estremecida
Como o desenlaçar duma aventura
Que pode ou não ficar por toda a vida
Diz que sentes como eu promete jura
Se sentes este fogo que me queima
Se sentes o meu corpo em tempestade
Luta por mim amor, arrisca, teima
Abraça este desejo que me invade
Se sentes meu amor o que eu não disse
Além de tudo o mais que não disseste
É que não houve verso que sentisse
Aquilo que eu te dei e tu me deste
quarta-feira, 2 de março de 2011
POEMA DAS MÃOS
Poema de Vasco de Lima Couto
Música de Jorge Barradas
Já foram puras estas mãos
Já tive ternas intenções
Busquei amor por toda a parte
Só encontrei desilusões
E quando em mim já nada resta
Que valha a pena aproveitar
Vens tu mulher também vencida
Com o teu amor p'ra me salvar
E assim desamparados os dois vamos seguindo
E a noite nossos vultos encobrindo
Vivemos sem vontade no tempo baloiçando
E o tempo nossas vidas vai queimando
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
ORIGEM de Mário Raínho
Duma remota paisagem,
Dizem que veio um menino
Nas naus de torna-viagem
Passageiro clandestino.
Diz que mal entrou a barra
Soltou a voz da garganta
E ao som duma guitarra
Chorou, mas como quem canta.
Mas cá pra mim
Ele tem feições de mouro
Menino d’ouro
Abandonado
Que por Alfama, p’la Moirama,
Por Lisboa,
Cresceu à toa,
Cresceu
E CHAMA-SE FADO !
Há quem diga que esse fado
Nascido não sei aonde,
É o fruto do pecado
Duma rameira e dum conde
Do Brasil veio até nós...
Já ouvi mais que uma vez.
MAS ELE CANTA A NOSSA VOZ,
SEM SOTAQUE E EM PORTUGUÊS !
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
terça-feira, 26 de outubro de 2010
A Origem do Fado de Manuel Alegre
A origem do fado não importa
Ele é a própria origem ou talvez
D. Pedro coroando Inês já morta
Ou a história escondida atrás da porta
Onde se aninha o medo português
Não procures a origem: ele é a origem
Antes do antes e antes do começo
Como oiro no avesso da fuligem
Ou Lisboa e Pessoa e aquele verso
Onde os sentidos sentem o que fingem
Não procures na história: ele está fora
E estando fora ele é o próprio centro
A hora antes da hora e aquela hora
Onde o dentro está fora e o fora dentro
Do momento que passa e se demora
Não busques noutro lado: ele é aqui
E sendo aqui é sempre o outro lado
O presente e o passado e o nunca achado
País que é e não é dentro de ti
Onde tudo começa e tudo é fado
segunda-feira, 10 de maio de 2010
"A morte da Mariquinhas"
*
Sem amigos e sem pão
Lá morreu a Mariquinhas
Dizem que foi no caixão
Feito só com tabuínhas
Num quarto escuro, fechado
Sem cortinas nas janelas
Em noite negra sem estrelas
Sem guitarras e sem fado
Num silêncio bem magoado
Há choros no Capelão
E um ou outro coração
Já recorda cheio de dôr
A que morreu sem amor
Sem amigos e sem pão
De todo o lado veio gente
Que se aperta e se atropela
Pois toda a gente quer vê-la
De rosto frio e ausente
Mas com ela, isso é diferente
Não se riam as vizinhas!
Altiva como as raínhas
Lenços e fitas agarra
E abraçada a uma guitarra
Lá morreu a Mariquinhas
Deixou escrito em testamento
Lido de alto p'las vizinhas
Que a guitarra e as tabuínhas
Seu espólio de momento
Queria este seguimento:
A guitarra ali á mão
E as tábuas no coração
Coisa um bocado bizarra
Mas o certo é que a guitarra
Dizem que foi no caixão
E chegou a madrugada
Com toda a gente na rua
Havia uns restos de lua
E de noite mal passada
Mas foi data assinalada!
Pois qual bando de andorinhas
As colegas e as vizinhas
Com o luto no coração
Transportavam o caixão
Feito só com tabuínhas
quarta-feira, 14 de abril de 2010
"Sou Tua"
Letra: Domingos Gonçalves
Música: Casimiro Ramos
*
Reneguei tuas promessas
E juras de amor ardente
Até com certo rancor
Disse-te assim, não sou dessas
Que se embalam cegamente
Em juramentos de amor
Meu Deus, como a boca mente
Pois se te amo loucamente
Eu digo seja a quem fôr
Sou tua...
Como o luar é da lua
Como as pedras são da rua,
E p'ra ser tua nasci
Sou tua...
Tão tua que me convenço
Que já nem a mim pertenço,
Que sou um pouco de ti
Sou tua...
Deixa-me gritar ao vento
P'ra que o vento num lamento,
Diga ao mar, á terra, ao céu
Sou tua...
E deixa que os olhos meus
Só vejam p'ra ver os teus,
Embora não sejas meu
Ás vezes sinto desejo
De ofender-te, embora iluda
Meu coração a sofrer
Mas fico, quando te vejo
Tão pequenina, tão muda
Com tanto p'ra te dizer
É então que a minha boca
Porta voz desta alma louca
Murmura quase sem querer
sexta-feira, 19 de março de 2010
"Alfabeto fadista"
"Diz-se que os gostos são relativos, assim como se diz também que há egos humanos a auto considerar-se entes superiores. Sobre este complexo sujeito escrevi esta singela quadra em redondilha-maior:
Uma pedra, uma flor,
o mais pequeno ser vivo,
um pedacinho de amor,...
tudo-tudo é relativo.
Vem este enunciado a propósito do versejo de minha autoria que a Susana teve a amabilidade de transcrever (agradeço) e que o Carlos do Carmo lançou em Fado com música de Paulo de Carvalho.
Então, embora concordasse por escrito com as várias modificações introduzidas, eu escrevi assim o «Alfabeto Fadista»:
A de amor, B de beleza,
e C curvo de criança,
D de Deus ou de defesa
que com E escreve esperança.
O F vai para o fado,
o G vai para a guitarra,
H pra homem honrado
Que ao I de ilusão se agarra.
As letras são vinte e três
Palavras são vinte e tal
Alfabeto português
Dum fadista em Portugal
No J fica a janela,
no L fica Lisboa,
M de mulher, é ela,
N a meio da canoa.
O de olhar que me fascina,
P de porta sempre aberta,
Q de quadra, R de rima,
Com saudade o S acerta
T de terra, U de universo,
Onde uma, noutro desanda,
V de viola ou de verso,
X de xaile, Z de zanga.
As letras são vinte e três,
palavras são vinte e tal,
alfabeto português,
dum fadiista em Portugal.
Enfim, eu considero que o Carlos, com o seu gosto e boa intenção, acabou por estragar um pouco a essência do meu versejo.
No caso, numa e noutra versão, a Susana qual delas aprecia mais?
Cumprimentos desde o Porto - TdG"
Está dito e escrito ! Obrigada meu querido Torre da Guia
sábado, 27 de fevereiro de 2010
"Povo"
*
Povo que lavas no rio,
Que vais às feiras e à tenda,
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão,
Pode haver quem te defenda,
Quem turve o teu ar sadio,
Quem compre o teu chão sagrado,
Mas a tua vida, não!
Meu cravo branco na orelha!
Minha camélia vermelha!
Meu verde manjericão!
Ó natureza vadia!
Vejo uma fotografia...
Mas a tua vida, não!
Fui ter à mesa redonda,
Bebendo em malga que esconda
O beijo, de mão em mão...
Água pura, fruto agreste,
Fora o vinho que me deste,
Mas a tua vida, não!
Procissões de praia e monte,
Areais, píncaros, passos
Atrás dos quais os meus vão!
Que é dos cântaros da fonte?
Guardo o jeito desses braços...
Mas a tua vida, não!
Aromas de urze e de lama!
Dormi com eles na cama...
Tive a mesma condição.
Bruxas e lobas, estrelas!
Tive o dom de conhecê-las...
Mas a tua vida, não!
Subi às frias montanhas,
Pelas veredas estranhas
Onde os meus olhos estão.
Rasguei certo corpo ao meio...
Vi certa curva em teu seio...
Mas a tua vida, não!
Só tu! Só tu és verdade!
Quando o remorso me invade
E me leva à confissão...
Povo! Povo! eu te pertenço.
Deste-me alturas de incenso,
Mas a tua vida, não!
Povo que lavas no rio,
Que vais às feiras e à tenda,
Que talhas com teu machado,
As tábuas do meu caixão,
Pode haver quem te defenda,
Quem turve o teu ar sadio,
Quem compre o teu chão sagrado,
Mas a tua vida, não!
sábado, 23 de janeiro de 2010
No teu poema
No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida,
Um corpo que respira, um céu aberto,
Janela debruçada para a vida
No teu poema
Existe a dor calada lá no fundo,
O passo da coragem em casa escura
E aberta, uma varanda para o mundo
Existe a noite,
O riso e a voz refeita à luz do dia,
A festa da Senhora da Agonia
E o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria
Existe um rio,
A sina de quem nasce fraco ou forte,
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste,
Que vence ou adormece antes da morte
No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha,
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem falha
No teu poema
Existe um cantochão alentejano,
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano
Existe um rio
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra
E um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte,
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste,
Que vence ou adormece antes da morte
No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro,
Existe tudo o mais que ainda me escapa
E um verso em branco à espera de futuro
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
"Longa caminhada"
Cheguei ao meio da vida
Desta longa caminhada;
Estou cansada, não vencida
Se respiro, tenho vida
Não posso ficar calada
Trago um recado, um poema
Para se ouvir entre nós
Do fundo do coração
É dado por minha mão
Cantado por minha voz
Peço mais amor e paz
Para bem da humanidade
Mais carinho, mais calor
Mais ternura, mais amor
Mais luta pela verdade
Cheguei ao meio da vida
Desta longa caminhada
Estou cansada, não vencida
Se respiro, tenho vida
Não quero ficar calada
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
"Ai que saudades"
AI QUE SAUDADES
Partiu naquele dia, foi-se embora
Para terras distantes, trabalhar
Na garganta, um soluço que chora
Por quem deixou na terra por criar
E na bagagem fria, a solidão
De quem longe dos seus tem de viver
Uma vida votada á condição
De saudades teimosas a crescer
Ai que saudades tenho eu, da minha amada
Da velha rapaziada... ai que saudades
Ai que saudades tenho eu, do meu país
Do meu filho ainda petiz... ai que saudades
Ai que saudades tenho eu, de minha mãe
Dos seus carinhos também... ai que saudades
Ai que saudades tenho eu do velho fado
E do bacalhau assado... ai que saudades
Ai que saudades tenho eu, do vinho tinto
E do bagaço, não minto... ai que saudades
Ai que saudades tenho eu, da Madragoa
E da velhinha Lisboa... ai que saudades
Ai que saudades tenho eu, do rio Tejo
Da tua boca, dum beijo... ai que saudades ...
Um bom ano para todos e uma especial atenção, com muito carinho, para a minha amiga e colega Manuela Cavaco que colabora no meu blog de mão de mestra ! Bem haja colega e beijocas alfacinhas !
sábado, 12 de dezembro de 2009
"Aie Mourir Pour Toi"
Aïe mourir pour toi
A l'instant où ta main me frôle
Laisser ma vie sur ton épaule
Bercée par le son de ta voix
Aïe mourir d'amour
T'offrir ma dernière seconde
Et sans regret quitter le monde
En emportant mon plus beau jour
Pour garder notre bonheur
Comme il est là
Ne pas connaître la douleur
Par toi
Ni la terrible certitude
De la solitude
Aïe mourir pour toi
Prendre le meilleur de nous-mêmes
Dans le souffle de ton je t'aime
Et m'endormir avec mes joies
Parle-moi
Console-moi
J'ai peur du jour qui va naître
Il sera le dernier peut-être
Que notre bonheur va connaître
Serre-moi
Apaise-moi
Quand j'ai l'angoisse du pire
Ne ris pas quand tu m'entends dire
Qu'au fond mourir pour mourir
Aïe mourir pour toi
Prendre le meilleur de nous mêmes
Dans le souffle de ton je t'aime
Et m'emdormir avec mes joies
Mourir pour toi
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
"Somos dois loucos"
Música: Artur Ribeiro
Fitei o teu olhar, só vi ternura
Beijei os lábios teus, vezes sem fim
Senti dentro de mim tanta loucura
Que fui roubar o sol e quando vim
Eu pus raios de sol na noite escura
E tu roubaste a lua para mim.
Somos dois loucos
Seguindo em frente
Teimosamente
De mãos dadas, rostos unidos
Somos dois loucos
Apaixonados
Mas não culpados
De sermos loucos varridos.
Tu és toda a razão dos meus pecados
Eu sou a tentação dos sonhos teus
Também sou a razão dos teus cuidados
E tu a inspiração dos versos meus
Nós dois, em oração ajoelhados
Pedi-mos por este amor, perdão a Deus.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
"Un Fado"
Sur la musique de "Fadinho Serrano" dont le poème est de Hernâni Correia et la musique de Arlindo de Carvalho ... "Un Fado" adaptation de Pierre Cour
Ce n'est presque rien, c'est un peu de vent
Rien qu'un peu de vent, rien qu'un peu de ciel
C'est un bâteau blanc, ivre de soleil
Et les rêves bleus des yeux d'un enfant
Mais lorsque son coeur est caché dedans
ça fait un fado, un fado, un fado.
Ce n'est presque rien, c'est un rocher blanc
Déchirant aveugle pour voler son coeur
C'est l'oiseau de mer criant sa douleur
Et le baiser fou de l'été brûlant
Mais lorsque le soir est caché dedans
ça fait un fado, un fado, un fado.
Minuit sur la plage, le temps des amants
De ces amants là, qui n'ont que l'amour
Un amour d'enfant, un amour d'un jour
Que viendra bientôt emporter le vent
Dans le matin blanc où renaît le jour
De ces amants là aux yeux bien trop grands
Mais lorsqu'une larme est cachée dedans
ça fait un fado, un fado, un fado
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Para mim ...
O fado é uma canção
Seja alegre ou triste o tema
O fado é tradição
O fado fala de amor
Ou raiva dentro de nos
O importante é a cor
Que damos à nossa voz
O fado canta euforia
Da vida tem o sabor
Traz-nos cheiro de maresia
E por vezes cala a dor
Porque o fado é flor de povo
E é raiz do passado
Seja ele antigo ou novo
Tem que nos saber a fado
Tem que vir do mais profundo
Do coração de quem canta
Foi assim que ele correu mundo
E é assim que o fado encanta
Susana Lopes (em dia de inspiração) 10/10/2009
Amália descrevendo o seu fado
(Amália Rodrigues / José Fontes Rocha)
Moram numa rua escura
A tristeza e a amargura
A angústia e a solidão;
No mesmo quarto fechado
Também lá mora o meu fado
E mora o meu coração
Tantos passos temos dado
Nós as três de braço de dado
Eu a tristeza e a amargura
Á noite um fado chorado
Sai deste quarto fechado
E enche esta rua tão escura
Somos vizinhos do tédio
Senhor que não tem remédio
Na persistência que tem
Vem p'ró meu quarto fechado
Senta-se ali a meu lado
Não deixa entrar mais ninguém
Nesta risonha morada
Não há lugar p'ra mais nada
Não cabe lá mais ninguém
Só lá cabe mais um fado
Que neste quarto fechado
O fado chora-se bem


























